sexta-feira, 28 de outubro de 2011

SEQUÊNCIA DIDÁTICA: PAISAGENS DO CAMPO E DA CIDADE


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Paisagens do campo e da cidade




Introdução



A paisagem pode ser compreendida como tudo aquilo que a nossa vista alcança, a fração do território que é possível abarcar com a visão. Trata-se de um conjunto heterogêneo de formas naturais e artificiais, em que cada vez mais predominam estes últimos. Tal heterogeneidade é dada pela multiplicidade e diversidade de usos e funções dos objetos e reflete em boa medida as atividades de diferentes períodos que caracterizaram ou caracterizam a vida humana. Desse modo, como assinala o geógrafo Milton Santos, ela é uma combinação de objetos criados em momentos históricos distintos, porém coexistindo no momento atual. (SANTOS, 1997).

Por meio da leitura da paisagem, os estudantes poderão observar, identificar, descrever ou comparar os elementos que a compõem e seu arranjo, atribuindo-lhes significado. O ponto de partida são os espaços familiares à criança, em que se imbricam representações, valores e identidades, como os de vivência - a rua, a praça, o bairro ou a escola, ou aqueles que ela já teve a oportunidade de conhecer ou visitar.



Esta seqüência didática propõe a observação de paisagens do campo e da cidade por meio de obras de arte e fotografias, assim como a sua representação pelos alunos, por meio de desenhos, croquis e painéis ilustrados. Com isso, eles poderão questionar, indagar e formular explicações sobre fenômenos e acontecimentos e refletir sobre variados aspectos de sua realidade cotidiana.



Objetivos



a) Identificar, descrever e comparar os elementos de origem natural e cultural que configuram as diferentes paisagens.

b) Observar, descrever e analisar elementos de paisagens urbanas e rurais em pinturas, fotografias, desenhos e ilustrações.



Conteúdos específicos : Paisagem, campo, cidade, urbano, rural



Ano: 5º ano



Tempo estimado: Três aulas de uma hora



Material necessário: Texto de apoio ao professor e figuras sugeridas abaixo, computador.



Desenvolvimento das atividades:



Primeira aula: Iniciar contando a história: O rato do campo e o rato da cidade.(Em anexo). Conversar com os alunos sobre os espaços que eles costumam freqüentar, visitar ou usar para brincadeiras. Perguntar quais são os de que mais gostam e o que se pode encontrar nesses locais: árvores, brinquedos como balanço ou gangorra, gramado, campo de futebol, casas e outras edificações etc. Solicitar a cada aluno que represente esses espaços por meio de desenhos, deixando-os à vontade também para representar o que gostariam que fosse melhorado em cada um deles.

Em seguida, peça aos alunos que contem para os colegas que outros espaços eles já tiveram a oportunidade de conhecer ou visitar, seja na cidade ou no campo. Instiga-los a descobrir diferenças entre esses espaços e os de sua frequência ou convivência habitual. Aproveitar a oportunidade para saber mais dos alunos quais diferenças eles percebem entre o campo e a cidade e como seria a vida em cada um deles. Ouvir os relatos e opiniões e esclarecer que nas próximas aulas eles poderão examinar com mais detalhes como eles se organizam, o que poderá ajudá-los a melhor compreender os seus próprios espaços de vida.



Proponha que a turma se organize em duplas ou pequenos grupos para observar as pinturas 1 e 2 (ver Anexos). Considere o roteiro a seguir:



a) Antes de apresentar as imagens mostrar o título de cada uma delas e procurar saber dos alunos se já ouviram falar dos autores, período e local em que foram produzidas e o que esperam ver retratado nelas;

b) Com as figuras em mãos, pedir que observem cada uma delas e descrevam características e detalhes dos objetos, nomeiem e descrevam cada um deles e assinalem sua posição na paisagem. Pedir que observem também as cores, formas e volumes dos objetos. Procurar saber que sensações a visão de cada uma das paisagens sugere ou provoca no observador;

c) A seguir, solicitar que comparem as duas imagens e estabeleçam as diferenças e semelhanças entre elas;

d) Depois, propor que os grupos identifiquem quais elementos são de origem natural e quais foram criados pelos grupos humanos em cada uma delas. Essas informações deverão ser organizadas em uma tabela no computador

Segunda aula: Levar os alunos para o Laboratório de informática e dividi-los em grupos. Exibir slides e explicando o conteúdo sobre a vida no campo e a vida na cidade e em seguida fazer um debate mediado pela professora.

Apresentação de slides: Viver no Campo e Viver na Cidade



Terceira aula Conversar com toda a turma sobre os resultados da observação feita na aula anterior. Para a discussão, considerar que a observação das duas obras de arte permite considerações sobre alguns conteúdos e características do campo e da cidade. A paisagem urbana é de evidente artificialidade, enquanto a que mostra uma cena do campo deixa à vista elementos de origem natural, ainda que parcialmente modificados pela ação humana. A paisagem urbana mostra elementos inerentes à própria idéia de cidade, como a densidade, diversidade e concentração de pessoas e objetos. Há também contigüidade entre os objetos, se comparados aos que aparecem na figura do meio rural. Vale a pena ressaltar também as diferenças evidentes entre os sistemas de circulação nos espaços retratados.

Questionar os estudantes se poderíamos encontrar novos elementos em outras paisagens urbanas e rurais. Por exemplo, a presença de indústrias no campo, atividades que costumam ser encontradas mais frequentemente nos núcleos urbanos. Propor aos estudantes que coletem, observem e comparem outras imagens de paisagens do campo e da cidade para serem observadas, como fotografias, obras de arte, desenhos e ilustrações.

Com a participação de todos, anotar as principais conclusões na lousa e solicite que todos anotem no caderno.



Avaliação



Para avaliar a aprendizagens dos alunos, levar em conta toda a produção realizada ao longo da seqüência didática, como os desenhos produzidos, os trabalhos realizados em grupos e os debates.



Levar em conta os objetivos previstos inicialmente para avaliar a evolução do aluno no que diz respeito a sua capacidade de expressão, escrita, compreensão do tema e da leitura e interpretação das imagens.



Considerar também a participação de todos nos trabalhos individuais e coletivos e nas rodas de conversa, assim como o modo como divisão de trabalho e participação individual nos grupos.



Anexos



Pintura 1

Paisagem urbana, de Manuel Martins, 65 x 54 cm, óleo sobre tela, s.d.

(Pode ser substituída por imagem similar)

Manuel Martins (1911-1979). Pintor paulistano. Em sua pintura é possível observar as radicais transformações da paisagem paulistana sem a perda da pureza primitivista em sua obra. Conforme o crítico Mario Schenberg, “paradoxalmente, essas paisagens evocadas pela memória do artista transmitem vigorosamente vivências de aqui-agora.”



Pintura 2

Paisagem rural, de João Batista da Costa, de 1895.

(Pode ser substituída por imagem similar)

João Batista da Costa (1865-1926). Nascido em Itaguaí-RJ. Pintor e professor da Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, que dirigiu de 1915 até o ano de sua morte. Um mestre paisagista, tem com marca registrada a percepção da natureza brasileira. A partir de 1906, elimina progressivamente das telas as figuras humanas e passa a se ocupar, exclusivamente, com a descrição da paisagem rural.



Vídeo: O campo e a cidade






• História: o rato do campo e o rato da cidade

O RATO DO CAMPO E O RATO DA CIDADE –

Esopo

Um rato do campo tinha por amigo um outro da cidade, e o convidou para que fosse comer na campanha. Mas como só podia oferecer-lhe trigo e ervas, o rato da cidade lhe disse:

- Sabes amigo, que levas uma vida de formiga? Por minha vez, possuo bens em abundância. Vem comigo e a tua disposição os terás.

Partiram ambos para a cidade. Mostrou o rato da cidade a seu amigo trigo e legumes, figos e queijo, frutas e mel. Maravilhado, o rato do campo bendizia seu amigo de todo o coração e renegava sua má sorte. Enquanto assim se divertiam, um homem de repente abriu a porta. Espantados pelo ruído os dois ratos se lançaram temerosos a um buraco. Voltaram logo a buscar figos secos, porém outra pessoa entrou no lugar e, ao vê-la, os dois se precipitaram novamente atrás de um toco para se esconder. Então o rato do campo, esquecendo de sua fome, suspirou e disse ao rato da cidade:

- Adeus, amigo, vejo que comes até te fartar e que estás muito satisfeito; porém, é a preço de mil perigos e constantes temores. Eu, por minha vez, sou um pobretão e vivo mordiscando a cevada e o trigo, mas sem ter que fugir nem ter temores sobre nada.

MORAL: É tua a decisão de escolher dispor de certos luxos e vantagens que sempre vão unidos a sustos e dificuldades, ou viver um pouco mais austeramente, mas com serenidade.



Reportagem

A favela como espaço da cidade


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